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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Aquecimento Global auxilia na produção de maçãs.

A maior empresa produtora de maçãs do Brasil anunciou que está levando seus pomares serra acima. As plantações, que hoje ocupam o oeste catarinense, vão migrar para São Joaquim, na região serrana do estado. O motivo são os invernos cada vez mais quentes. Entre 1960 e 2009, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) registrou um aumento de 1,3º C na média mensal de janeiro. A migração das maçãs é somente um exemplo de como as mudanças climáticas já estão afetando a agricultura brasileira, e as projeções indicam impactos cada vez maiores. No caso da soja, por exemplo, a estimativa é que, até 2050, as melhores áreas para o plantio no país sejam reduzidas em quase 30%, o que representaria um prejuízo de R$ 5,47 bilhões. O cenário se desenha diante da possibilidade de a temperatura média do planeta subir por volta de 1º C até o fim deste século, conforme prevêem os relatórios mais otimistas do Painel Intergover-namental de Mudanças Climáticas (IPCC). Essas estimativas foram feitas por equipes da unidade de Informática Agrope-cuária da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Diante de tal horizonte preocupante, a pesquisa agrícola brasileira tem intensificado seus esforços em torno do problema. As mudanças climáticas foram inseridas pela Embrapa em seu Macropro-grama 1 de pesquisas intitulado “Grandes Desafios Nacionais na Agricultura.” A plataforma de pesquisas que trata do tema é dividida em quatro pontos: cenários futuros, pragas e doenças, sistema produtivo e adaptação genética. Uma boa notícia é que o Brasil não parte do zero nessa luta para adaptar a produção agrícola aos novos climas. Traçar cenários futuros consolidou-se, na década de 1990, como atividade destinada a avaliar riscos para instituições financeiras estatais na concessão de créditos e seguros agrícolas. Para isso, o Ministério da Agricultura encomendou à Embrapa um mapeamento de riscos para plantações. O resultado foi o Sistema de Monitoramento Agrometeo-rológico, ou Agritempo. Disponível ao público pela internet, ele informa as áreas e o período do ano de maior e menor risco para plantar diversas espécies, considerando cada microrregião dentro dos estados. Agora, esse detalhamento serve também na previsão de cenários provocados pelas mudanças climáticas. “Adotamos o mesmo modelo de zoneamento com os cenários do IPCC, o que é bem mais eficiente do que usar um prognóstico homogêneo para todo o Brasil”, informa Giampaolo Queiroz Pellegrino, coordenador do grupo de Simulação de Cenários Agrícolas Futuros (SCAF) da Embrapa Informática Agropecuária. Um sistema similar ao Agritempo envolvendo as mudanças climáticas mundiais já existe e está sendo aperfeiçoado pela equipe de Pellegrino. A ideia é aumentar o número de culturas analisadas e de modelos matemáticos a serem aplicados, para maior alcance e precisão das projeções. Os próprios modelos sofrem aperfeiçoamento, se antes só eram considerados o aumento de temperatura e o déficit hídrico, agora outras variáveis também entram na equação, como a incidência de pragas e doenças, o aumento da frequência de eventos extremos (geada, enchentes, granizo, secas, etc), entre outras. Controle fitossanitário “Mudar o clima também significa que as lavouras poderão ser submetidas a novas pragas, doenças e plantas daninhas, só para citar alguns exemplos”, explica Emília Hamada, da Embrapa Meio Ambiente. A pesquisadora coordena um grupo que analisa a mudança climática sobre a distribuição geográfica e temporal de pragas e doenças nas plantações. A equipe de Emília é parte do projeto Climapest – Impacto das Mudanças Climáticas Globais sobre Problemas Fitossanitários – da Embrapa. O estudo engloba projetos que avaliam consequências do aumento de dióxido de carbono na atmosfera, da radiação ultravioleta e da temperatura sobre a ocorrência de doenças, pragas e plantas invasoras. O Climapest envolve não somente plantações agrícolas, mas também espécies forrageiras e florestais. Os trabalhos de aprimoramento genético feitos há quase meio século em instituições como Embrapa e Instituto Agronônico de Campinas (IAC) não só aumentaram a produtividade de muitas espécies como ampliaram o período de cultivo e estenderam as fronteiras agrícolas. O IAC desenvolveu espécies de cana-de-açúcar aptas para o clima do cerrado brasileiro, que são plantadas em Goiás e na Bahia. A Embrapa levou a soja, planta típica de países temperados, a se desenvolver no clima do Centro-Oeste brasileiro. Esse conhecimento está sendo aplicado para que as plantas resistam a grandes mudanças ambientais. Trata-se de um trabalho que exige tempo e paciência. Sucessivos cruzamentos são feitos tentando reproduzir descendentes com as qualidades desejadas presentes nos genitores. Desenvol-ver um indivíduo resistente ao estresse hídrico e a pragas, por exemplo, não significa que ele será tão produtivo quanto as espécies atuais. O ciclo de vida da planta influi no tempo dos resultados. “Fazer melhoramento genético de uma espécie arbórea que leva 12 anos para ficar adulta pode consumir a vida inteira de um pesquisador”, ressalta Maurício Lopes, da unidade de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa. Plantas como soja, por sua vez, podem ter uma espécie nova desenvolvida num espaço de sete anos. O principal recurso para esse tipo de pesquisa é uma ampla fonte de material genético, explica Lopes. “É importante manter um banco de germoplasma o mais diversificado possível”, acrescenta. Quanto maior a variabilidade, mais caracteres podem ser trabalhados e maiores as chances de sucesso. Os avanços da genômica também contribuem para contornar os desafios climáticos. “Não se trata somente de transferir genes de um organismo para outro (os famosos transgênicos); sequenciar e entender o genoma de espécies já é uma ferramenta importante nesse trabalho”, diz Lopes. Soluções simples Tecnologias simples e baratas também são armas para mitigar o calor crescente na agricultura. Pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) estão difundindo a técnica de plantio arborizado de café. Com árvores sombreando os cafezais, a planta fica mais próxima ao microclima de seu habitat original. A técnica chega a baixar cerca de 2ºC a temperatura média e ainda protege a planta do vento. O adensamento de plantio é outra técnica preconizada. Quando as plantas estão mais próximas, cada uma produz menos, mas o rendimento por hectare é maior. Além disso, o número de folhas aumenta, amenizando a temperatura no interior da planta. O manejo do mato e a irrigação adequada são outras técnicas de mitigação do calor que a maioria dos cafezais brasileiros ainda não adota. O IAC também desenvolve melhoramento genético no café, tentando transferir para a espécie arábica a resistência a pragas e ao calor presente na espécie robusta. Para o agrônomo Luiz Carlos Fazuolli, diretor do Centro de Café Alcides Carvalho, do IAC, as ameaças de mudanças climáticas na cultura do café não devem ter grande impacto. Segundo ele, a faixa ideal de temperatura para o café arábica é de 18ºC a 23ºC e a grande parte das plantações no Brasil está na faixa dos 19ºC: “se a temperatura média aumentar 2ºC, o que já é muito, o café ainda estará dentro dessa amplitude”. Inclusive, diz Fazuolli, o IAC vem acompanhando cafezais arábica com boa produtividade em temperaturas médias de 24ºC. Trata-se de uma ótima notícia, uma vez que, ao contrário da maçã catarinense, as mudas de café não teriam para onde fugir do aquecimento. “É um equívoco pensar que o café pode migrar para o sul”, afirma o climatologista Marcelo Bento Paes de Camargo, também do IAC. “O inverno úmido daquela região é impróprio para o cultivo, por isso o café desce no máximo até o norte do Paraná, onde ele já está hoje.”

Foto: Claudio Bezerra ( Câmara fria onde a Embrapa mantém seu banco de germoplasma )
Postado por Jussara Cunha

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fecomercio debate questão do Aquecimento Global

Fórum tem intuito de discutir as soluções viáveis para reduzir os efeitos causados no planeta.
São Paulo, 12 de agosto de 2009 – O Brasil ainda não adotou metas de redução de emissão de poluentes com exceção ao município de São Paulo, que já dispõe de algumas medidas como, por exemplo, a determinação de que as novas edificações devem seguir um plano de eficiência energética e sustentabilidade ambiental, além da inspeção veicular, que visa diminuir a emissão de poluentes. Justamente com a intenção de discutir o problema, a Fecomercio realiza no dia 17 de agosto em São Paulo, o Fórum Aquecimento Global – Soluções Viáveis. Segundo José Goldemberg, presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, conseguir utilizar a energia de maneira mais eficiente é o desafio para amenizar o problema ambiental. “isso é o que precisa ser feito primeiramente, além de investir em produção de energias renováveis”, afirmou Goldemberg. Com a proximidade da Conferência de Copenhagen, importante encontro que visa definir o tratado que irá substituir o Protocolo de Kyoto, a realização de um evento como esse é de suma importância. “O Brasil ainda não fixou o posicionamento que irá adotar na conferência, por isso que esse debate pode influir nas políticas que serão utilizadas pelo Governo Federal, completou Goldemberg. O secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge Martins falará sobre “A Experiência da Cidade de São Paulo no Combate ao Aquecimento Global”. Segundo o secretário, a principal solução é desenvolver a eficiência energética e também diminuir a produção de lixo. “Todos podem e devem ajudar. Da dona de casa ao Presidente da República, disse Martins. O evento também conta com a participação de Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, que falará sobre as políticas econômicas viáveis e os mecanismos de mercado. Segundo Delfim, houve avanços na administração do presidente Barack Obama em relação à Jorge W. Bush. “Isso ocorre por causa das opções de investimentos para a produção de combustíveis alternativos que reduzam a poluição, como no Brasil, mas isso ainda encontra dificuldades em avançar por causa dos efeitos da crise, afirmou o ex-ministro. O Fórum ainda terá a participação do coordenador para a área ambiental do Brasil do Banco Mundial, Mark Lundell que abordará as “Políticas Internacionais e Programas de Incentivo”.
Postado por Caroline Cury

terça-feira, 28 de julho de 2009

Wal-Mart não quer carne de desmatamento.

O Wal-Mart reafirmou sua posição de não comprar carne proveniente de área desmatada na Amazônia enquanto o setor não apresentar um sistema de rastreamento do produto. Na prática, diz que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que os frigoríficos atuantes no Pará assinaram com o Ministério Público Federal é um bom avanço, mas não é suficiente. Para o coordenador da campanha de gado na Amazônia no Greenpeace Brasil, a nota mostra claramente a posição do Wal-Mart em defender o interesse de seus consumidores e da sociedade brasileira, que não querem compactuar com o desmatamento da Amazônia. "Esperamos que essa decisão seja adotada pelas demais redes de supermercados, como um claro recado ao agronegócio de que não há mais espaço para produtos que destroem o maior patrimônio brasileiro e causam mudanças climáticas."

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE COMPRA DE CARNE DO PARÁ
O Wal-Mart mantém a sua posição na suspensão da compra de carnes provenientes de fazendas do Pará, mesmo após a assinatura do Termo de Ajuste de Condutas (TAC) por parte de frigoríficos que atuam na região.A empresa é contrária ao movimento de retomar as compras sem que um processo de auditoria independente com garantia de origem da carne desta região seja estabelecido.O Wal-Mart reconhece os esforços das empresas e produtores que atuam na região e entende que a assinatura do TAC é um bom avanço para a construção de uma cadeia de suprimentos de carne mais responsável. A empresa também está sensível a pressão econômica e social que este embargo tem acarretado a região.“Temos um compromisso com o meio ambiente e com os nossos consumidores. Só voltaremos a fazer negócios com a região após acordo e alinhamento do plano de auditoria proposto inicialmente pelo setor. Entendemos que isso é o mais correto a fazer no momento e está em linha com as expectativas dos nossos clientes”, afirma Héctor Núñez, Presidente do Wal-Mart Brasil.O Wal-Mart assumiu o compromisso de garantir a implementação de um processo de auditoria de origem com todos os frigoríficos com os quais trabalha no Brasil, independente da região de atuação. A empresa está em processo de aprovação destes planos cujos resultados iniciais devem estar prontos em aproximadamente 60 dias.

Postado por Caroline Cury
ECOANDO l Brasil

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Lula diz que há consciência sobre gravidade do problema das mudanças climáticas.

Ao comentar as discussões sobre questões climáticas na última reunião do G8, na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira no programa semanal Café com o Presidente que há “uma consciência coletiva de que o problema é grave”.

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Postado por Caroline Cury
Ecoando l Brasil

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A economia verde é cara

Os ambientalistas não apenas levam a extremos os perigos do aquecimento global como também minimizam os custos próprios do combate a ele.

Poucas coisas na política têm maior poder de sedução do que algo que se consegue de graça. No momento em que o Congresso americano começa a analisar a legislação de combate ao aquecimento global, os ambientalistas oferecem precisamente essa perspectiva irresistível: dizem que é possível vencer o aquecimento global a um custo praticamente nulo. Transcrevo abaixo uma declaração típica desse raciocínio, defendida pelo Fundo de Defesa Ambiental (EDF, na sigla em inglês): “Com mais ou menos US$0,10 ao dia (por pessoa), é possível resolver o problema da mudança climática, investir em um futuro movido a energia limpa e economizar bilhões em importação de petróleo”.
Parece bom demais para ser verdade, e por isso mesmo soa tão bem. A reengenharia do sistema mundial de energia é tarefa praticamente inexeqüível. Basta pensar em necessidades dos Estados Unidos em 2030. Comparadas a 2007, as projeções mostram que o país terá praticamente 25% a mais de habitantes (ou 375 milhões de pessoas), uma economia cerca de 70% maior (US$20 trilhões) e 27% a mais de veículos leves em circulação (294 milhões de carros). A demanda de energia será muito grande.
Contudo, também são previstos índices mais elevados de conservação e uso de produtos renováveis. De 2007 a 2030, o uso da energia solar crescerá 18 vezes, e o da energia eólica, seis vezes. Carros novos e caminhonetes leves serão 50% mais econômicos. As lâmpadas e as máquinas de lavar serão mais eficientes.
Mesmo assim, as emissões de CO² em 2030 deverão estar na casa dos 6,2 bilhões de toneladas métricas, ou 4% a mais do que em 2007. Só para dar um exemplo, a energia solar e eólica responderão juntas por cerca de apenas 5% da eletricidade em uso. Para atender ao projeto de lei da Câmara, as emissões de CO² deveriam ficar em torno de 3,5 bilhões de toneladas.
De acordo com o EDF e outras organizações ambientalistas, a idéia de que essa redução poderia ser posta em prática a um custo reduzido baseia-se em simulações econômicas realizadas em modelos de “equilíbrio geral”. Contudo, esses modelos são incapazes de nos dizer que configuração terá a economia daqui a dez ou vinte anos, porque supõem ou ignoram coisas como taxa de crescimento; crises financeiras e geopolíticas; grandes gargalos; inflação paralisante ou níveis de desemprego, entre outras.
A idéia de uma economia verde é vendida à custa de fantasias econômicas. Os ambientalistas não apenas levam a extremos os perigos do aquecimento global – quando discorrem, por exemplo, sobre a elevação do nível dos mares -, como também minimizam os custos e suas conseqüências. Tudo se baseia em modelos de confiabilidade incerta. Constroem-se grandes esquemas de engenharia social e econômica sobre alicerces científicos frágeis. Falta sinceridade e bom senso.

Robert J. Samuelson. Jornalista americano é colunista da Revista Newsweek
Fonte Revista Época Negócios.

Postado por Caroline Cury
Ecoando l Brasil